(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_271.txt ô, ‘saltar’; mas é certo que ao que nós chamamos bailar chamavam os latinos saltare, ‘saltar, dar saltos’. E, na verdade, quem baila dá saltos, e faz movimentos de corpo mais ou menos compassados, com mais ou menos ligeireza. A língua francesa, mais pobre que a nossa, tem só um termo para significar estes movimentos – é o substantivo danse, e seu verbo danser; a nossa, porém, tem três que determinam as ideias acessórias destes saltos e movimentos. – Baile é nome genérico e vulgar, e só exprime a ação física de bai- lar. – Dança é palavra mais nobre, e designa particularmente o movimento regular do corpo e seus membros ao compasso e tom de música. – Folia, como a palavra de origem francesa (folie ‘loucura’) o está dizendo, é uma dança rápida ao som de pandeiro ou adufe, entre várias pessoas, cantando; e que se assemelha à dança das bacantes. Bailam os moços e moças do povo em suas festas e reuniões; bailam os próprios selvagens à sombra de frondosas árvores, e ao som de rústicos instrumentos; dançam os cavalheiros e senhoras nobres em suas salas; faziam-se antigamente folias por ocasiões de alegria pública. O bailar é uma espécie de instinto nas criaturas racionais; e assim como os animais retouçam de contentes e alegres, bailam os homens por alegria e diversão. A dança é uma arte semelhante à que entre os gregos se chamava orchestike, que não só dá regras para mover o corpo e os membros a compasso, senão para a maneira de pisar, ter o corpo em elegante postura, e fazer as cortesias e mesuras que a boa educação prescreve; e, por isso, a dança é própria de gente nobre e cavalheira. A folia indicava noutro tempo (que hoje é palavra antiquada) certo modo particular de bailar, talvez semelhante ao que chamam hoje contradança, muito alegre e festivo, em que os próprios reis não duvidavam tomar parte, pois El-Rei D. Pedro I sabemos que tinha gosto particular de bailar a folia, em que era muito eminente, executando concertadamente todos os movimentos, ora mais rápidos, ora mais graves, ao som de flautas. No dia em que armou cavaleiro a D. João Afonso Teles, dançou em público com seus cortesãos, e dizia a todos: ‘Eu assento que nada fica mal à Majestade, quando se trata de honrar a virtude’ (Anecd. Port., II)”. Diz Bruns. que “baile, no sentido em que esta palavra se pode confundir com dança, designa o conjunto ou série de movimentos com que se executa uma dança; isto é, uma polca, uma mazurca, uma valsa são danças, e os movimentos com que essas danças se executam constituem o baile. Assim, há mestres de dança, mas não há mestres de baile (senão noutro sentido); nos teatros há corpo de baile, mas não há corpo de dança. De uma pessoa se diz que baila bem quando se atende à maneira como faz cada um dos movimentos que entram na dança, e dizemos que dança bem quando se atende ao modo como executa as diferentes danças em que toma parte. Nos teatros há bailarinas que executam os bailados, ou danças mímicas, e dançarinas que executam jotas, fandangos etc.; q