(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_266.txt disto, um gênio austero e rígido também costuma sê-lo com todos, e mais ainda com os que dele dependem. Diz La Bruyère que um filósofo austero, e de gênio áspero, espanta a todos, e faz como aborrecível a virtude. – A severidade exerce-se de ordinário antes com os demais que conosco; bem que os homens severos costumem ser pontuais e exatos no cumprimento de suas obrigações. O severo não manifesta condescendência alguma. Se aplicarmos esta palavra aos princípios ou causas, indicará ela certo caráter virtuoso; e se a aplicarmos às ações, indicará extremada rigidez, pouco conforme às vezes com a equidade. Muitos homens, sem serem severos com os outros, são austeros consigo mesmos; em outros sucede o contrário. Não podemos deixar de ter certa admiração pelo homem austero, nem de temer o severo. A austeridade chega a converter-se em hábito; e a severidade o é pelo caráter e os princípios. – O homem rigoroso tudo exagera, e nada lhe contenta o excessivo rigor. O homem severo não se aparta nunca de seus princípios; ao mesmo tempo que o rigoroso os leva a um extremo que é mais prejudicial do que útil. A austeridade consigo mesmo não é incômoda a ninguém; a severidade com os outros pode ser obra de virtude ou de vício, e por essa razão sempre é temida; contra o rigor, porém, todos se viram pelos excessos a que de ordinário arrasta”. – Ríspido aplica-se ao que se excede nas manifestações da severidade, e vem a parecer mais áspero e grosseiro que severo. A rispidez quase que depende mais do temperamento e da educação que propriamente das qualidades fundamentais da criatura; e por isso não são raros os casos em que a rispidez não exclui a magnanimidade e outras virtudes de coração. – Duro dizemos, em sentido moral, do que é mais que rígido: dureza de alma é quase crueldade; podendo, no entanto, admitir-se algum coração duro que não seja propriamente cruel. – Infle- xível exprime, segundo a própria formação do vocábulo, “que não se dobra, que não muda da resolução tomada”. – Inexorável é “o que não cede nem a súplicas e lágrimas”. – Inabalável é “o que não muda de opinião, de propósito, mostrando-se firme e seguro no seu modo de ver ou de obrar”. – Inalterável é “o que se não move exteriormente, que parece o mesmo sempre”. – Inabalável é mais forte que inalterável, pois encerra muito claro a ideia de que a coisa ou pessoa inabalável não cede a esforço. 3G2 AUTÊNTICO, formal, solene. – Autêntico designa “o caráter de legitimidade que toma o ato ou a coisa que se fez com todos os requisitos que lhe são próprios, e como tal capaz de produzir todos os efeitos jurídicos”. – Formal é “o que se fez na devida forma, e que por isso é claro, positivo, genuíno”. Não inclui necessariamente a ideia de autenticidade: um ato, ou um documento formal pode não ser autêntico, pois só se torna autêntico o ato formal depois de legalizado juridicamente. – Solene é “o que, além de formal e autêntico, se fez com grande aparato e plena publicidade”. Dizemos: carta, contrato, re