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ARTIFICIAL, factício, ficto, fictício, fingido, simulado, falso. – Artificial é “todo trabalho feito com arte”: opõe-se a natural.
– Factício significa também “feito ou criado pelo homem, ou devido a circunstâncias de momento”. Este, porém, só se aplica tratando-se de coisas não propriamente materiais ou concretas. – Ficto, fictício e fingido são formas oriundas do mesmo original (fingo... ere). – Ficto quer dizer “fingido, suposto, aceito como tal”. Chama-se a um navio de guerra, ao palácio de uma embaixada, por exemplo, “território ficto” da respetiva nação (querendo significar que se consideram a embaixada e o navio de guerra como se fossem prolongamentos do território nacional). – Fictício é “o que só existe na imaginação, o que é inventado, fingido, mas talvez com in-

tento de que passe por natural e verdadeiro”. – Fingido é “o que imita calculadamente a coisa verdadeira pela qual quer passar...” – Simulado exprime o mesmo que fingido, e dá, melhor ainda do que este, ideia do intento de “fazer acreditar que a coisa fingida é a coisa real”. – Falso é “o que não é exato, verdadeiro, legítimo, puro”.

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ARTIFICIAL, artificioso. – Artificial já vimos que significa “feito pela arte ou pela indústria do homem”. – Artificioso é também o que se fez com artifício, mas em regra com o intuito de iludir, de enganar. A tudo que é artificial nem sempre caberá o epíteto artificioso; nada se concebe, no entanto, como artificioso, em que não tenha entrado algum artifício – e que não seja, portanto, artificial.

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ARTIFÍCIO, artefacto. – Não se poderiam confundir estes dois vocábulos, por mais clara que lhes seja a comunidade de estrutura. – Artifício, conforme já se viu, é o meio, o processo, ou o conjunto de meios que se emprega para alcançar um resultado, para fazer alguma coisa (e, pois, para conseguir um artefacto). – Artefacto é qualquer produto de trabalho mecânico. Mas artifício aproxima-se mais de artefacto quando se aplica também a coisas que se fizeram com certa arte. Do mesmo modo que dizemos – artefactos de cerâmica, ou de marcenaria – também dizemos – artifícios de caça, ou de pesca. Aí mesmo, no entanto, é evidente a distinção que se nota entre os dois vocábulos; pois só aplicamos o nome de artifícios a certa ordem de artefactos; isto é, àqueles que sugerem a ideia de que foram feitos “para enganar”. Resta observar que artifício se emprega ainda no sentido translato: o que não se dá com o outro. Dizemos. “Vou desfazer os artifícios de que usou contra mim”;

“É fácil de ver de que rude, ou de que grosseiro artifício se valeu para obter aquilo...” (Em nenhum destes casos caberia artefacto.)

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ÁSCUA, brasa. – De que entre estas duas palavras não existe sinonímia perfeita – diz Bruns. – é uma prova o podermos dizer: “as brasas estão quase apagadas”, e não – “as áscuas estão quase apagadas”. – Áscua implica, portanto, a ideia de ser completa a incandescência: ideia que não é inerente à palavra brasa, pois se o fosse, seria pleonasmo o