(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_211.txt er tomado a boa parte; cobiça designa um sentimento vil. Ambição significa principalmente o desejo de alcançar poder, honras, dignidades; cobiça refere-se apenas à riqueza, ao dinheiro. Há ambiciosos que, longe de serem cobiçosos, gastam a mãos largas para obterem o que ambicionam”. – Avareza é vício de alma que torna sórdido o avarento; e que consiste no amor desordenado aos bens materiais, na paixão pelo dinheiro, na ânsia e sofreguidão de acumular. – Avidez (conquanto da mesma origem latina avere) não se confunde com avareza, começando por ser um termo genérico para indicar todo desejo imoderado, toda ansiedade com que se quer alguma coisa ou se executa alguma função. – Cupidez é bem fácil de confundir com o precedente; mas de ordinário aplicase cupidez mais particularmente para designar desejo imoderado em questões de amor. – Ganância tem, pela força do uso, a significação de “desespero pelo ganho, sem escrúpulos e sem medida”. – Gana é termo do espanhol que significa “apetite desregrado, vontade irreprimível, fome, voracidade, até raiva incontinente”. 277 AMBÍGUO, anfibológico, impreciso, confuso, equívoco, duvidoso, dúbio, incerto, vário; ambiguidade, anfibologia, confusão, equívoco, dúvida, incerteza. – Ambiguidade, segundo Roq., “é palavra latina (ambiguitas, de ambigo, “rodear, andar à roda, duvidar”) e consiste em apresentar a frase um sentido geral, que admite diferentes interpretações, de modo que custa descobrir ou adivinhar o pensamento do autor, sendo às vezes impossível consegui-lo. É, pois, a ambiguidade dúvida, confusão, incerteza na linguagem e nas ideias. – Anfibologia vem do grego amphibólia, composto da preposição amphi, que significa “ao pé, em roda, de dois lados”, etc., e bollo, “lançar”; e ao qual se ajuntou depois logos “palavra, discurso”. Ou vem então de amphibolos, que também é formado de amphi e bollo, e significa “ferido”, ou “que fere de dois lados”, e figuradamente “ambíguo, equívoco”. Comete-se esta falta quando se constrói uma frase de modo que possa admitir duas diferentes interpretações. Refere-se antes ao giro da frase ou colocação das palavras que aos termos equívocos dela; ao contrário da ambiguidade, que se acha só nos termos. E assim se diz – uma palavra ambígua e – uma frase anfibológica. Deste gênero é a seguinte: “Heitor Aquiles chama a desafio”. Aí nenhuma das palavras é ambígua nem equívoca, mas é anfibológico o sentido, porque, ainda que regularmente se ponha o sujeito antes do verbo, os poetas invertem muitas vezes esta ordem; e daquela frase pode-se entender que Heitor provoca a Aquiles, ou este àquele. – Equívoco é palavra latina, aequivocos (de aequus, “igual”, e vox, “voz”), e significa em geral multiplicidade de significações; mas regularmente tem dois sentidos – um natural e imediato, que é o que parece querer-se dar a entender; e outro, artificial, ou fingido, desviado ou apartado, que só compreende a pessoa que fala, e às vezes tão disfarçado que só o entendem os que penetram a alusão