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são da alma ou do entendimento, como o cego tem perdido a vista”. – Demente é “o que está privado das faculdades de raciocinar, de entender, e que fica em estado como de estupidez ou imbecilidade”. Nesta palavra demente figura a raiz grega man ou men, que sugere a ideia de “pensar”, “sentir”. Mente é, pois, “o

espírito, a faculdade, ou o conjunto das faculdades superiores do homem”: demente exprime, portanto –, “privado do espírito, da inteligência”. – Doido é quase o mesmo que louco: se se pode notar alguma diferença entre os dois vocábulos, é, segundo os lexicógrafos, a que consiste em ser talvez a doidice uma forma de loucura mais completa e permanente, e caracterizada pelos desvarios, os gestos ridículos e estabanamentos do doido. – Desvairado é “o que ficou em súbita exaltação que o põe agitado, aflito, sem tino”. – Delirante é “o que está como perturbado momentaneamente das faculdades intelectuais, e assim privado de senso normal, incapaz de fazer juízo”. – Insano diz propriamente – “o que está enfermo da razão”: a insânia sugere também a ideia de loucura instantânea. – Insensato é “o que não tem senso comum, e por isso não pensa normalmente”. – Aturdido = “subitamente perturbado, de surpresa ou de susto”. Atordoado = “menos que aturdido, sentindo-se apenas em estado que não é de perfeita lucidez”. – Estonteado = “perturbado como quem acorda repentinamente, sem tento no que faz”.

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ALUDIR, referir, indicar, expor, enunciar, mencionar. – Entre aludir e referir há uma diferença notável, não só de significação, mas ainda de função gramatical. Referir quer dizer – “indicar de modo claro e preciso a coisa sobre que se quer chamar a atenção de alguém”. Aludir é “referir indiretamente, isto é –, sugerindo

que ele aludiu a esses tipos. Neste exemplo vê-se melhor a distinção: “O homem aludiu aos bandidos, às suas tropelias e infâmias, mas nem sequer um fato teve a coragem de referir, nem declinou os nomes dos quadrilheiros”. Sente-se que referir seria indicar expressa e claramente fatos, e que declinar seria dar os próprios nomes dos criminosos. Declinar é, pois, muito próximo de referir; e confunde-se ainda com articular, que é “referir por palavras adequadas e precisas que esclareçam o articulado”. Sob o ponto de vista gramatical, há entre referir e aludir uma diferença que é frequentemente esquecida, mais por inadvertência talvez do que por ignorância. Refere-se uma coisa; alude-se a uma coisa. Dizemos, portanto – “a coisa referida”; e não podemos dizer – “a coisa aludida”; pois que o verbo aludir, não sendo transitivo, não pode dar particípio passivo. Dizer – “a coisa aludida” seria o mesmo que dizer – “a coisa, ou o ato procedido”, ou – “o caso assistido”22. Em vez de “circunstância aludida”, diremos corretamente: “circunstância a que se alude”. – Indicar é “apontar precisamente alguma coisa, dizer onde se encontra, marcá-la ou mostrá-la”. – Expor é “fazer uma relação minuciosa do que se quer tornar conhecido de outrem, ou por dever de o