(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_190.txt aquele famoso exórdio do sermão sobre o dia de juízo, diz: “Abrasado finalmente o mundo”, etc. (III, 146). – Resta-nos dizer que o primeiro do grupo é hoje muito pouco usado: em vez de alfim, dizemos afinal. – A locução por fim equivale a “finalmente”, “em conclusão”. “Afinal chegou o nosso dia”. “Depois de nos mostrar toda a casa, levou-nos por fim ao parque...” 237 ALGOZ, carrasco, verdugo, carnífice, sacrificador, executor. – Quanto aos três primeiros, diz Bruns. são: “denominações comuns ao executor da alta justiça nos países onde vigora a pena de morte”. – Algoz é termo culto, próprio da poesia e do estilo elevado; carrasco é termo popular; verdugo é palavra castelhana que se introduziu na língua portuguesa. – Carrasco e verdugo designam o indivíduo que tem o ofício de executor; algoz é esse indivíduo, ou outro qualquer (que faça de algoz contra alguém; isto é, que o flagele e martirize como se quisesse tirar-lhe a vida). “Carlos I de Inglaterra foi executado por um algoz mascarado que se prontificou a substituir o carrasco que havia desaparecido”. No sentido figurado, “algoz diz-se melhor de quem martiriza moralmente; carrasco e verdugo, dos que martirizam moral e fisicamente”. – Carnífice diz – “homem sanguinário; que faz, ou que é capaz de fazer morticínios”. – Sacrificador era o encarregado de sacrificar as vítimas entre quase todos os povos antigos; e aplica-se hoje com sentido análogo, para designar o indivíduo que imita contra alguém as funções do sacrifício, isto é, da execução religiosa, ou da tortura como cerimônia de culto, e que passou, por isso mesmo, a ser sacrílega. – Executor substitui a quase todos os outros do grupo; é simplesmente o que executa a sentença, subentendendo-se que é quase sempre a de morte. 238 ALGUNS, certos. – Alguns “refere-se limitadamente a pessoas ou coisas indeterminadas, que aquele que fala não conhece bem, ou que lhe não ocorrem, nem é preciso indicar. O segundo, posto que se refira igualmente a pessoas ou coisas indeterminadas, é menos vago, e dá a entender que são conhecidas e que se poderiam nomear se necessário fosse”. (Roq.). 23G ALHEIO, de outrem, estranho. – “Entre alheio e de outrem – escreve Bruns. – há uma muito leve diferença, suficiente não obstante para que em muitos casos as duas expressões não possam empregar-se indistintamente. – Alheio indica apenas que o objeto não é nosso; de outrem não só indica que o objeto não é nosso, mas afirma que outrem é seu dono. Cobiçar o alheio é cobiçar o que não é nosso; cobiçar o que é de outrem é cobiçar o que pertence a determinado indivíduo. Entre alheio e estranho também se nota a seguinte diferença: o alheio não é nosso; o estranho não só não é nosso, senão que ignoramos se tem dono”. 240 ALHURES, algures. – Segundo Bruns., estes dois advérbios “são atualmente pouco usados na linguagem culta; e o primeiro não só pouco usado, senão já quase desconhecido. Não obstante, são muito expressivos, e por certo merecedores de serem revividos”. – Alhure