(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_141.txt versa. Tanto o agrado como a afabilidade são geralmente provas de um caráter bem formado. A amabilidade consiste em empregar todos os meios possíveis para nos tornarmos agradáveis à pessoa a quem a testemunhamos. Não é, a maior parte das vezes, uma qualidade inerente ao caráter da pessoa que se mostra amável: ou tem fins interesseiros, ou faz simplesmente parte da bagagem das convenções sociais com que os homens pretendem enganar-se reciprocamente. Tal que é amável com os estranhos é ríspido e intratável com os seus. A civilidade é a convenção estabelecida na sociedade para que os seus membros se avenham mutuamente, de modo a não se ofenderem nem se desagradarem. Varia segundo os meios, os tempos, os lugares e a condição das pessoas. A civilidade exagerada – a que o vulgo chama política – é ridícula e presta-se ao escárnio. Contudo, a civilidade bem entendida deve reinar em toda parte, mesmo em família, pois sem ela nos tornaríamos desagradáveis até aos nossos mais próximos. A urbanidade é a civilidade de bom tom, a que se usa nos grandes centros urbanos. – Polidez e urbanidade confundem-se no fundo. – Polidez é a civilidade das pessoas de fino trato, que obram e se exprimem nobremente, com facilidade, finura e delicadeza. Basta conhecer certas regras e observar certas práticas para ser tido como homem civil; é, porém, necessário ter grande trato do mundo, e saber amoldar-se às situações, para ser um homem polido, pois a polidez exige que não só nos tornemos agradáveis, senão que penhoremos as pessoas com quem tratamos. – Cortesia é a demonstração do respeito que nos devemos mutuamente; tem-se não só para com as pessoas que conhecemos como também para com as desconhecidas, sempre que estas pareçam merecer-no-la. – Cortesania é o requinte da polidez: é “a polidez da corte, como indica a palavra...” – Cortesão, no entanto, perdeu hoje esse sentido: é mais “palaciano, áulico e até adulador” do que cortês. – Delicadeza é a qualidade do homem muito polido, fino, suave no trato. O homem delicado é-o mais por temperamento, por índole talvez do que por educação. – Benigno é “o homem de natureza moral muito singela, que se contenta de ter para com seus semelhantes sentimentos propícios”. A benignidade é, pois, a virtude das grandes almas; e sugere sempre, tratando-se de pessoas, uma ideia da excelência da pessoa benigna em relação àquela a respeito da qual assim se mostra. – Benevolência poderia confundir-se com benignidade. Mas benevolência é apenas “uma disposição de alma, um movimento propício de coração em favor de alguém”. Uma pessoa é benévola, isto é, mostra-se de boa vontade com alguém no momento, ou pode ter benevolência com esta ou aquela outra pessoa. Dizemos: “os reis benignos são amados do seu povo”; “os homens benignos fazem-se queridos” (e não – os reis benévolos, ou – os homens benevolentes). Entre benévolo e benevolente não estabelecem os dicionários diferença alguma. Nesta frase, entretanto, supomos que seria imprópria a mudança dos