(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_137.txt u aquela nobre figura vencida pela adversidade” (isto é – pela constância da má sorte). – Desgraça é termo genérico, e significa todo sucesso lamentável que cai imprevisto sobre alguém. No plural, vale por sofrimentos, misérias, tristezas. – “Desgraça”, diz Roq., “explica o mal em si mesmo”. – Desdita acrescenta à ideia do mal o efeito da desgraça, com relação à triste situação em que se acha o desgraçado. O que perde no jogo, sem que o incomode nem o aflija a perda, é desgraçado no jogo, e só por pura ponderação se chamará desdita à sua desgraça. O que perdeu, porém, toda a sua fazenda, e se acha reduzido à maior miséria e aflição, sem consolo nem esperança de alívio, não só é desgraçado porque padece um verdadeiro mal, como é também desditoso, pela triste situação a que o reduziu sua desgraça. Por isso dizemos: Aconteceu ontem uma desgraça no mar, no rio, etc.; e não – aconteceu uma desdita, porque só fazemos relação ao fato, ao malsucedido. – Infelicidade é o contrário de felicidade, a privação do que constitui o homem feliz; mas vulgarmente se toma por desgraça, e é mais usada esta palavra que desdita, que vem da castelhana desdicha. – Infortúnio vem a ser uma série ou cadeia de desgraças, que não provêm do homem, porque não deu motivo a elas por seu procedimento ou falta de prudência; não por isto, senão por sua má sorte, cai em infortúnio. – Desventura é má sorte, fortuna adversa. Aquele que não sai bem nas suas empresas, antes encontra adversidades, pode queixar-se de sua desventura, mas não é desgraçado nem desditoso. – Quando a desgraça é grande e se estende a infinito número de pessoas e a países inteiros, chamase-lhe calamidade, que é propriamente um infortúnio público e geral, tal como a fome, a peste, a guerra, as inundações, as erupções vulcânicas, os terremotos, e outras muitas grandes desgraças que afligem as nações, e às vezes quase o mundo inteiro. – Caipora e caiporismo são vocábulos adotados dos nossos indígenas, significando: – o último, “a falta de boa fortuna em tudo quanto se tenta na vida”; falta que se atribui, ou “a predestinação, ou a trama de algum espírito mau”; e o primeiro, caipora, é “o sujeito que se julga assim perseguido da má sorte”. – É preciso comparar alguns dos vocábulos deste grupo que têm o mesmo radical. – Infortúnio e desfortuna. Como se viu, infortúnio é grande desgraça que se prolonga (e quase sempre se usa no plural): desfortuna diz apenas “fortuna contrária, falta de boa fortuna, impedindo o êxito que se calculava”. “Um capitão tem a desfortuna de ver fugir e escapar-se o inimigo quando ia certo de esmagá-lo” (não – o infortúnio). “Tive a desfortuna de lhe não merecer simpatia”. “Tem padecido os seus infortúnios com serenidade e resignação” (não – as suas desfortunas). – Entre infortunado e desfortunado há diferença análoga à que notamos entre infortúnio e desfortuna. – “Foi ele tão desfortunado (tão sem boa fortuna) que não conseguiu sequer uma vez bater no alvo”. “É preciso consolar uma criatu