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falou solene”; “Nada tenho a dizer ao nobre senador”. Aplicado a qualidades, ou a coisas, significa “digno e excelente”. “Que nobre alma a daquela dama tão obscura e tão desventurada.” “A nobre altivez daquela criança salvou-nos a todos”. – Famoso e célebre, como nota Lafaye, “tocam-se de perto; mas, afastando-
-nos um pouco do autor, observaremos que: famoso é vocábulo menos nobre, e deve aplicar-se a um fato ou a uma vida “que fez grande ruído no mundo”, podendo até ser a de um bandido; célebre enuncia não fama ruidosa, mas “grandeza que tem alguma coisa de solenidade e de esplendor na história, e no seu lugar, ou na sua condição própria”. Há capitães ao mesmo tempo célebres e famosos como Alexandre; mas a raríssimos grandes poetas ou grandes artistas chamaríamos com propriedade famosos. – Afamado diz muito menos que famoso; e segundo observa Bruns., com razão, só se pode aplicar a pessoas vivas, ou a coisas subsistentes. Afamado é quem ou o que tem fama, ou “está tendo fama no seu tempo, e no meio em que vive, ou onde aparece”. É ainda preciso

notar que tanto se aplica a pessoas como a coisas, mas melhor a coisas. “F. é um médico afamado” (isto é – que tem bom nome ou boa fama de profissional na cidade onde clinica); “Os afamados charutos da Bahia”... “As afamadas laranjas da Argélia”... Não seria muito próprio, apesar do que diz Bruns., chamar – famoso a um médico que se fizesse conhecido e ilustre fora do seu meio: diríamos antes – notável, eminente, ou melhor – célebre, ou mesmo – grande... conforme o caso. Charcot é célebre, é grande... mas decerto que não diríamos dele – o famoso Charcot. – Famigerado quase sempre se toma em sentido pejorativo: designa indivíduo cuja fama, boa ou má (em regra – má) “se espalha num dado círculo e com aparato”. Diremos: “famigerado bandido”; “famigerado desordeiro”; “famigerado conspirador... de aldeia”... (porque, tratando-se de um conspirador de alta raça, já lhe não caberia bem o epíteto). Só por menoscabo diríamos: “famigerado cultor das musas”. – Preclaro e insigne aproximam-se de ilustre. Mas preclaro diz mais e é mais nobre: exprime – “excelente, belo, brilhante”. Nem todos os ilustres são preclaros; mas os preclaros são ao mesmo tempo ilustres. Diríamos: “O preclaro Tácito”; “O preclaro varão que ilustrou o seu tempo”; “A preclara majestade de d. Henrique, o grande Infante, mais do que rei no seu império do mundo”... Mas rarissimamente poderíamos dizer sem flagrante absurdo, por exemplo: “preclaro representante da nação”, ou “preclaro ministro”, só porque se trata de homens ilustres. – Insigne é quem, ou o que “se assinala por algum grande mérito, ou alguma grande qualidade ou aptidão.” Difere de assinalado em que este “chama atenção mais para os feitos do indivíduo que se assinalou”; e insigne exprime “qualidade inerente à pessoa ou coisa insigne”. Diríamos: “Job foi um varão insigne pela virtude da resignação” (e não – “um varão assinalado)”; “Este

homem, sem ser insigne, tornou-se naquele mo