(TXT sem título)
https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_123.txt

mplo de Vieira: “D. Fernando... a fama da Universidade... e admiração de seus doutores...” – Admirado, aqui (com a função de predicativo), diz propriamente “tomado de admiração”. “O sr. ficou admirado, ou está admirado de ver a justiça tão liberal quando a julgávamos tão somítica?” – Pasmo é a “admiração levada a uma intensidade tal que absorve todos os sentidos da pessoa que está pasmada”. “Aquela cena estranha causa pasmo geral”. Pasmado, na surpresa que o assalta, o menino emudeceu”. – Espanto, susto e assombro confundem-se frequentemente, e na maioria dos casos sem muita razão. É certo que nesta frase, por exemplo: “Qual não foi o meu espanto (ou o meu susto, ou o meu assombro) quando o moço, em plena Câmara, proferiu aqueles horrores!...” – só uma distinção muito subtil é que poderia dar uma preferência formal por um dos três vocábulos. Mas vejamos. – Espanto diz –

“admiração que é quase pasmo, violenta impressão de surpresa e quase terror”. – Susto é menos que espanto: é “espanto súbito, abalo mais ou menos forte, causado por alguma coisa inesperada”. Dizemos: “pequeno susto, grande susto”; mas não seria muito próprio dizer (na acepção que lhes damos aqui): “pequeno assombro”; nem: “pequeno espanto”. – Assombro é “grande espanto, admiração profunda e solene”. “Vieira foi o assombro do seu século”; “a grandeza dos Estados Unidos do Norte é o espanto de todo o mundo”. “Senti um grande susto em toda a assistência”. – Espantado, assustado e assombrado distinguem-se de igual maneira. “O moço está espantado de me ver marchar” (não – assustado, pois este vocábulo já enuncia um estado de alma que é mais alarme do que espanto). “A população está assustada com aquele boato que ontem correu...” (não – espantada, porque o que a população sente não é comoção de quase terror, mas apenas uma desconfiança, um sobressalto, causado pela suspeita de algum perigo). “O auditório está assombrado de ouvir aquela palavra tão nova, tão brilhante e segura” (e não – assustados nem mesmo – espantado, pois o que o auditório sente é mais admiração que surpresa ou pasmo). – Maravilha (no sentido que lhe dá lugar neste grupo) é “sentimento de assombro tão vivo e intenso como se fosse produzido por alguma causa sobrenatural”. “Aquilo (aquela ação extraordinária, ou aquele invento, ou aquela conquista surpreendente) põe-me na alma agitada mais maravilha que alegria”. Fica-se maravilhado à vista de um prodígio; e a nossa maravilha provém de sentirmos que tal prodígio excede às forças humanas, ou às próprias condições da natureza. – Arrebatamento diz – “admiração súbita e impetuosa”. “Ouvindo um lance daquela oratória grandiosa, a assistência, arrebatada, encheu de um vasto e grave clamor todo o templo”.

– Transporte é “arrebatamento da alma, sacudida de paixão violenta”, “Transportado de cólera, o pobre, daqueles transportes de alegria passou à demência...” – Arroubo (ou arroubamento) é o estado em que fica a alma “arrebatada de altas emoções, e sentindo-se como em deslu