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vou a idolatria nas aldeias (pagi); ou, como diz S. Jerônimo, porque os infiéis se recusaram a alistar-se na milícia de Jesus Cristo; ou porque preferiram deixar o serviço a receber o batismo, como foi ordenado no ano 310, segundo observa Fleury; por-

que, entre os latinos, paganus era oposto a miles, como entre nós o é paisano a soldado ou militar. Cita Ainsworth a favor desta opinião a passagem seguinte: Miles, si dum paganus erat, fecerit testamentum, etc. “o soldado, se quando era ainda paisano, tivesse feito testamento”, etc. E acrescenta: Hinc et fortasse christiani gentes dixere paganos, quod Christi vexillis non militarent
= “daqui veio talvez chamarem os Cristãos pagãos aos gentios, porque não queriam militar debaixo das bandeiras de Cristo”. Seja como for, o nome de pagãos foi dado aos infiéis que, retirados das cidades, continuaram a adorar os falsos deuses. Os gentios foram chamados à fé, e obedeceram à sua vocação; os pagãos persistiram em sua idolatria. A palavra gentios não designa senão as pessoas que não creem na religião revelada; e a de pagãos distingue aqueles que observam cegamente, e com fanatismo, uma religião mitológica, ou um culto de falsos deuses. Pelo que, os pagãos são gentios; mas nem todos os gentios são pagãos. Confúcio e Sócrates, que refutavam a pluralidade dos deuses, eram gentios, mas não eram pagãos. Os adoradores de Júpiter, de Fo, de Brama, de Xaca, e de outras falsas divindades, são pagãos; os sectários de Mafoma, adoradores de um só Deus, são, propriamente falando, gentios, ou infiéis, como lhes chamou d. Afonso Henriques, na visão do campo de Ourique
Aos infiéis, Senhor, aos infiéis,
E não a mim que creio o que podeis.
(Lus., III, 45)
– Idólatra designa propriamente “o que adora ídolos”. É termo que se pode aplicar a todos os que desconhecem a religião cristã e celebram cultos bárbaros. – Heterodoxo se diz do membro de uma igreja, de uma religião, de uma doutrina – que não se submete à autoridade que a regula; – que tem opinião diferente dos demais sectários (heteros “outro” + doxa “opinião”). É antôni-

mo de ortodoxo. – Herege (ou herético) é o que levou a heterodoxia ao extremo de discutir com certa paixão e sustentar graves erros em ponto de fé. – Leigo e profano distinguem apenas o que nada tem com a religião; que não pertence ao clero; ou que não diz respeito a crença nenhuma. – Profano, porém, junta à noção de leigo a de ímpio e sacrílego, em muitos casos.

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ATENÇÃO, aplicação, reflexão, ponderação, meditação, contensão, apercepção, cogitação; cuidado, vigilância, solicitude, desvelo, dedicação. – Atenção é o ato pelo qual o nosso espírito fixa o seu poder sobre algum objeto externo. Se, em vez de num objeto externo, as nossas faculdades se fixam sobre objetos internos, esse ato chamase reflexão. Se a reflexão, ou a atenção é demorada e persistente, chama-se aplicação. – Ponderação sugere ideia de atenção mais profunda, de extremo cuidado e grave aplicação com que se estuda e trata de resolve