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– Descrido enuncia de modo mais completo a noção de descrente: é como se se dissesse – um descrente definitivo; pois descrido significa – “que não crê decisivamente, que se desiludiu de crer”. – Cético é o que não crê senão quando sente a verdade em plena evidência. Entre cético e incrédulo é preciso notar a seguinte distinção: o incrédulo não crê porque não cogita de saber a verdade; o cético, porque a procurou inutilmente. – Ímpio é – diz Lacerda – “o que não tem piedade, e por isso despreza o culto público e o objeto desse mesmo culto”. O incrédulo zomba da religião, e quase sempre é um leviano e fútil, que afeta uma falsa independência moral, ou superioridade de espírito. O cético argumenta contra as grandes verdades da religião, e muitas vezes mostra-se amargurado de não aceitá-las porque lhe parecem contrárias à razão humana. O ímpio é quase um celerado, que detesta Deus e a humanidade; que não sente pelo semelhante senão ódio e desprezo, e que se rebela contra Deus. – Sacrílego é o que atenta contra coisa sagrada; e, por extensão, contra tudo que merece grande respeito, amor, veneração. O ímpio, em regra, é sacrílego: nem sempre, porém, será verdadeira a inversa, desde que impiedade encerra a ideia de ufania contra Deus e os homens. – Irreligioso diz apenas “que não tem religião alguma”. – Infiel é palavra de significação muito restrita, con-

siderada neste grupo: é o qualificativo com que na Idade Média os Cristãos designavam os maometanos. – Gentio era “toda a gente que ficava fora da nossa grei”; como também foram bárbaros para os romanos todos os povos que se encontravam fora de Roma. Sobre esta e a palavra pagão escreve Roq.: “Assim como os gregos e os romanos chamavam bárbaros a todos os povos que não fossem eles próprios; assim também os judeus chamavam goim, nações, gentes, ou gentios todos os povos que não eram da sua religião; e este mesmo nome deram depois aos Cristãos”. Observa Fleury que entre estes gentios incircuncisos alguns havia que adoravam o verdadeiro Deus, e aos quais se concedia a permissão de habitar a Terra Santa, contanto que observassem a lei natural e se abstivessem de sangue. Pretendem alguns sábios que os gentios foram assim chamados porque não têm outra lei mais que a natural e as que a si mesmos se impõem, por oposição aos judeus e aos Cristãos, que têm uma lei positiva e uma religião revelada que são obrigados a seguir. A Igreja nascente não falava senão de gentios. S. Paulo foi o apóstolo das gentes, isto é, dos gentios, como se lê nos Atos dos Apóstolos. Ut portet nomen meum coram gentibus (IX, 15). Depois do estabelecimento do Cristianismo, chamaram-se pagãos (pagani) os povos que ficaram infiéis; ou fosse, como crê Barônio, porque os imperadores cristãos obrigaram por seus editos aos adoradores de falsos deuses a retirar-se para as aldeias ou lugares de pouca conta, que se chamavam pagus, onde exerciam sua religião; ou porque, depois de convertidas ao Cristianismo as vilas e cidades, ainda se conser