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” – Vocação, aqui, significa “uma tendência própria, uma disposição natural do espírito para alguma arte ou mister”. – Talento, além de designar dom natural (diz Bruns.), como aptidão, presume exercício e prática, e por isso pode dizer-se que o talento é a aptidão no terreno da prática. Ter talento para a pintura é mais do que ter aptidão para a pintura, pois a aptidão pode ficar inativa, e o talento só se revela no exercício, na cultura. – Capacidade é o conjunto de qualidades e conhecimentos necessários para levar a bem-
-determinada ordem de coisas; a capacidade, como o talento, só pode manifestar-se na prática; diferem, porém, as duas palavras quanto à sua aplicação: talento dizendo-se particularmente com relação aos estudos pu-

ramente científicos, literários ou artísticos; e capacidade relativamente às coisas práticas da vida, empresas, negócios, direção de assuntos, etc. Assim é que ninguém dirá – um poeta, ou um escultor de capacidade, mas sim, de talento; e também não é comum dizer-se – um banqueiro, ou um general que carece de talento, mas sim, de capacidade. Convém ter presente que tanto a capacidade como o talento não podem existir onde não há aptidão. – Idoneidade, palavra não muito usada, é independente da ideia de aptidão; a idoneidade adquire-se pela prática, e conseguintemente este vocábulo encerra a ideia de faculdades adquiridas. F. não tinha nenhuma aptidão para a magistratura; não obstante, à força de boa vontade e de estudo, adquiriu nela bastante idoneidade. Um recruta pode ter aptidão para aprender o exercício; um tenente tem bastante capacidade para comandar a companhia, se o capitão vier a faltar; mas nem todos os chefes de corpo têm a idoneidade precisa para comandar uma divisão. – Habilidade é vocábulo mais significativo que capacidade e idoneidade. A habilidade não só revela a ideia de se possuir o conjunto de qualidades e de conhecimentos necessários para levar a bom resultado uma determinada ordem de coisas, senão que sugere a ideia de que por várias vezes já se praticaram tais coisas, e sempre com bom resultado”. – Jeito é muito próximo de disposição: é “o desembaraço, a habilidade, ou pelo menos a facilidade, a expediência, a discreta perícia com que nos sentimos para alguma coisa”. – Gosto é mais do que jeito: designa este “como senso íntimo que nos faz preferir uma coisa a outra”. Pedro parece ter jeito para as letras; mas creio que nunca terá gosto para a cultura antiga.
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AQUI, cá. – Escreve Roq., que estes dois advérbios“ valem o mesmo que ‘este lugar’, ou ‘neste lugar’ onde se acha a pessoa que fala.

A diferença entre os dois consiste em que aqui designa o lugar de um modo absoluto, e sem referência alguma a outro lugar; v. g.: Aqui vivo, aqui estou, etc. Cá tem maior extensão, pois além de designar o lugar onde se está, acrescenta por si só a exclusão de outro lugar determinado (lá) que direta ou indiretamente se contrapõe àquele em que nos achamos. Vivo aqui; janto aqui – supõe, só e absolutamente, o