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os só da flagrante oposição que existe entre duas palavras ou duas ideias aproximadas: dizer que um homem é de uma ‘orgulhosa’ ‘simplicidade’ é fazer uma antítese. Esta palavra é, portanto, muito mais restrita que contraste, que se aplica a situações, a caracteres, e não somente às partes de um mesmo período. – O contraste (do latim contra, ‘frente a frente’ e stare, ‘conservar-se’) é a oposição que existe entre coisas contrárias; qualidades ou modos de ser diferentes, e que a aproximação faz ressaltar melhor”. Esta palavra emprega-se nas artes, em literatura, em filosofia, e em geral sempre que se nota uma impressiva contrariedade entre duas coisas. – A antífrase, ainda segundo Bourg. e Berg., “é uma palavra ou uma locução que deve ser entendida num sentido contrário ao que exprime essa palavra ou essa locução. É por antífrase que os gregos designavam as Fúrias pelo nome de Eumênides (deusas benignas, ou benévolas). É por antífrase que eles designavam o mar Negro sob o nome de Ponto Euxino (mar hospitaleiro). É também por antífrase que, falando de um celerado, dizemos: este santo homem”. Quando Boileau diz: “Asseguro: Quinault é um Virgílio” – a proposição: “Quinault é um Virgílio” “deve ser

entendida em um sentido contrário ao que lhe é natural e próprio. Se não houvesse aí antífrase, essa afirmativa marcaria que Quinault é um poeta de primeira ordem; mas admitido, pela antífrase, o sentido real que está no pensamento do satírico, essa proposição marca que Quinault é um medíocre poeta”, Bourg e Berg. distinguem a antífrase da contraverdade; mas sem fundamentar claramente a distinção. – Antinomia é “a oposição que se nota entre duas leis ou princípios”. – Antilogia “é a contradição ou desconchavo entre as ideias sustentadas pelo mesmo autor, ou entre os capítulos de um mesmo livro”. – Contradição é “desconcerto entre o que se disse e o que se está dizendo; contraste entre as ideias ou as afirmações de alguém e as nossas”. – Contrariedade é “a relação que se nota entre duas coisas ou duas ideias opostas”. – Oposição é aqui “o maior ou menor afastamento em que uma coisa fica da outra”.

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ANTRO, caverna, furna, gruta, lapa, cova, buraco, toca, subterrâneo. – Segundo Roq. – “a primeira destas palavras é o grego antron, que deu o latim antrum, o qual entrou no português como palavra culta e poética; e segundo a sua origem significa – cova profunda e escura. – A segunda do grupo é latina, caverna; e significa uma grande escavação aberta a modo de abóbada, e defendida pelos lados como um recinto. – Furna é cova profunda, escura e medonha; diz-se particularmente da fauce lôbrega de um vulcão, de que nos deixou exemplo Bernardes na Floresta: “Estando em cima, contemplando a horrenda furna e estômago do monte (Etna), cuja disforme boca mostra ter uma légua de âmbito... (II, 227)”. Esta palavra não é poética, e diferença-se de todas as do grupo em acrescentar-lhes à significação comum a ideia de medo, de horror, que às

outras não é inerente. – Gruta