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ormalidades

de gosto, de afeições, de tendências, etc., numa criatura nem sempre serão irregulares (isto é, nem sempre serão contrárias à moral, à justiça, etc.). – Disforme e deforme poderiam confundir-se se se disfarçasse o valor preciso dos respetivos prefixos. Mas disforme quer dizer “fora da forma usual; que excede, que exagera a forma própria comum”; deforme significa “defetivo, sem a forma própria do gênero; e envolve ideia de vício, de anomalia na conformação (deformidade)”. – Deforme confundir-se-ia com monstruoso se este não sugerisse a ideia, que lhe é essencial, de irregularidade repugnante à moral, à justiça, à inteligência comum. – Excêntrico é propriamente o que sai do núcleo, da direção, do centro que lhe é próprio; e só figuradamente é que se emprega excentricidade para significar “o que tem um indivíduo, uma coisa, um fenômeno, de original, afastando-se do que se nota em todos ou no comum dos indivíduos, coisas ou fenômenos do mesmo gênero”.

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ANOSO, velho, idoso, secular, antigo. – Anoso dizemos melhor tratando de coisas ou de fenômenos. O anoso carvalho; anosa existência (carvalho, existência que conta grande número de anos). – Velho é “aquilo que está gasto, estragado pelo tempo”. – Idoso equivale a “anoso, e aplica-se de preferência ao homem”. – Secular é propriamente “o que conta séculos de existência, ou cuja vida ou duração é tão extensa como um século”. – Antigo é “o que é tão velho ou tem tanta idade que já se acha fora de uso”.

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ANOTAR, anotações, notas; comentar, comentário, comento; interpretar, interpretação; explicar, explicação; explanar, explanação; apostilar, apostilas; cotas, ob-

servações, glosas. – Segundo Roq., “as anotações e as notas se empregam para aclarar e ilustrar (anotar) alguns lugares de uma obra; mas rigorosamente falando, as notas são curtas, e só dizem o que é precisamente necessário para aclarar e ilustrar a obra. Também se chamam notas os reparos e tachas que se põem a alguns escritos. Mais extensão admitem as anotações, que vêm a ser como breves comentários das obras, as quais, em linguagem exata, são extensas e eruditas explicações de um texto”. (Comento vale mais por nota e fica em relação a comentário como nota em relação a anotações.) – Assim como o fim das anotações é explicar com clareza e exatidão as frases e palavras, fixando seu verdadeiro sentido, conhecido só de alguns eruditos, ou um sentido oculto ou obscuro que se aclara com autoridades e raciocínios; assim a interpretação, por sua parte, supõe ambiguidade, e procura achar o verdadeiro sentido do texto que se interpreta. É assim que a anotação instrui, e a interpretação limita-se a apresentar razões pró e contra. A anotação, bem-feita, derrama sobre o texto uma luz que a todos alumia; por engenhosa que seja a interpretação, sempre nos deixa em dúvida, porque cada leitor se julga com direito de ser intérprete. – Mais extensas que as anotações são as explicações, pois não se limitam, como aquelas, a aclarar o sentido da