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viva intensidade de uma apóstrofe, de um ato de coragem, de afronta, de censura ou de exprobração”. Ninguém diria, por exemplo: – “um pedido”, senão – “uma súplica veemente”. – Precipitado confunde-se com inconsiderado e imponderado; mas a precipitação enuncia mais claro um ato fora de toda consciência. Um homem precipitado atira-se a um abismo sem o ver, sem pensar nele, sem se aperceber do perigo. Precipitação é, pois, alguma coisa mais que afoiteza; pois o sujeito afoito pode ainda ter ideia do perigo, e apenas não pensar nas exatas proporções dele: o precipitado não cogita do perigo. – Violento é muito distinto de precipitado; o violento só não dá ao que vai fazer uma atenção perfeita; sendo a violência “uma perpetração, ou um impulso mais devido ao temperamento que à decisão de quem obra”. – Intrêmulo, imperturbável, impassível são convizinhos muito íntimos. A própria formação destas palavras está, no entanto, explicando-lhes a diferença. Intrêmulo diz – “que não treme diante do perigo”; – imper-

turbável –, “que se não perturba, não se altera ante o perigo, ou a afronta, ou o mal que o assalta”; – impassível, “que nada sofre; que se mostra indiferente, insensível diante do que vê, ou do que ouve”. A impassibilidade pode, portanto, ser uma virtude de estoico, ou um vício, ou estado de ânimo, de atonia moral, que deprima.

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AFRONTA, agravo, ofensa, injúria, ultraje, insulto, avania, vexame, zombaria, mofa, irrisão, chacota, sátira, apodo, gracejo, remoque, troça, chasco, escárnio. – “Entre o agravo e a afronta” – diz Roq. – “há esta diferença, como já notou d. Quixote: que a afronta vem da parte de quem a pode fazer, e faz e sustenta; o agravo pode vir de qualquer parte sem que afronte. Seja exemplo: Está um homem na rua descuidado; chegam dez indivíduos armados, e dão-lhe pancadas; mete o homem mão à espada, e faz o que lhe cumpre como homem de brio; mas a multidão dos contrários se lhe opõem, e não o deixam levar avante o que intenta, que é vingar-se: este homem fica decerto agravado; não, porém, afrontado. O mesmo confirmará outro exemplo: Está um homem com as costas voltadas; chega outro por detrás, e dá-lhe duas bengaladas, e foge; segue-o o homem, e não o alcança para castigá-lo. O que levou as pauladas recebeu agravo, mas não afronta, pois que a afronta há de ser sustentada: circunstância que não é necessária para constituir o agravo. Se o que deu as pauladas ficara de pé firme fazendo rosto a seu inimigo, ficaria o que levou as pauladas agravado e afrontado juntamente: agravado, porque lhe deram à traição; afrontado, porque o agressor lhe fez rosto, sustentou o seu feito sem voltar as costas, e a pé firme. E assim, segundo as leis do maldito duelo, eu posso estar agravado, mas não afrontado. – O agravo atropela nosso direito; a ofensa junta

ao agravo o desprezo ou o insulto. O que tem direito a um acesso, e o não conseguiu, crê-se agravado; se a este agravo acresceu um desprezo do seu mérito, ou uma declaração de sua insuficiên