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zer – “começar marcha ou viagem, pôr-se a caminho”. É sim quase perfeito de sair, diferindo deste porque não dá, como sair, mais a ideia de deixar um certo lugar” que de “ir para outro”. Diremos: “Ele saiu da cidade há uma hora: e no outro dia partiu para S. Paulo, dali seguindo para ponto ignorado”. Não poderíamos trocar aí nenhum dos verbos. – Seguir aproxima-se, portanto, de partir e de sair; mas distingue-se claramente de um e outro porque acrescenta à ideia de “pôr-se em movimento” a de “continuação de marcha iniciada”. Ninguém segue seu caminho sem haver começado a andar. “Partimos daqui no dia tal, saindo de casa às 3 da tarde; pernoitamos em Campo Grande, e no outro dia seguimos para Mendes.” – Azular é brasileirismo bem moderno, e significa – abalar, desaparecer... como se se sumisse no espaço. “F. azulou dali quando nos viu de longe”. – Esgueirar-se é “azular com a ideia de esconder-se”, é “retirar-se sorrateiramente”. – “O gatuno pressentiu-nos e esgueirou-se”. – Fugir aproxima-se de esgueirar-se com esta diferença: esgueirar-se é “desaparecer com astúcia, de modo a não ser visto”; e fugir é “deixar um ponto às pressas”, “desviar-se precipitadamente de alguém ou de alguma coisa para evitar incômodo, perigo, risco, tentação”, etc. “O exército fugiu perseguido pela cavalaria inimiga” (Aul.). “Espavorido, o companheiro foge” (Garrett). – Desaparecer é deixar de ser visto, sem ideia alguma acessória quanto ao intuito de quem desaparece. “F. desapareceu da rua do Ouvidor”; “Depois da meia-noite desapareceram as crianças”; “Por que desapareceu o senhor de nossa casa?” – Sumir-se é mais que desaparecer porque dá ideia de “deixar de ser visto sem

que se saiba o paradeiro ou o destino de quem se sumiu. Diremos que um amigo (que continuamos aliás a encontrar na rua) desapareceu de nossa casa, isto é, “deixou de ser visto nela, de frequentá-la”; e não, “que se sumiu de nossa casa”. Do mesmo modo não confundiremos os dois termos para empregá-los indistintamente nesta frase: “O pobre viúvo sumiu-se do mundo” (isto é, desapareceu para sempre). Em suma: quem desaparece nem sempre tem tenção de sumir-se: agora o que não é possível é que alguém se suma sem haver desaparecido. – Ausentar-se é “deixar de estar presente em alguma parte”; e aproxima-se em certos casos de desaparecer, de sair, e de retirar-se principalmente. Mas ausentar-se não dá (como retirar-se, às vezes) ideia de plano, ou de intento, de fim ou de necessidade com que alguém se retira: apenas marca a noção de “não estar mais presente onde se estava”; assim como retirar-se marca, não propriamente, a ideia de “não estar mais presente”, mas a de “haver deixado um lugar”. “O juiz ausentou-se durante as férias”. “O homem retirou-se da festa mais cedo do que se esperava”. “No meio do tumulto, o presidente suspende a sessão e retira-se”. Não diríamos neste caso – ausenta-se – pois que o nosso pensamento não é aludir ao fato de não ter mais o homem ficado presente, mas ao fato de haver deixad