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emplo para deixar bem clara a distinção que se sente entre estes dois verbos: “A cidade se embelece de dia em dia...” (não seria próprio, ou pelo menos de rigorosa propriedade dizer que a cidade se embeleza). Ainda outro: “Para a festa vamos embelezar toda a praça...” (não se diria que vamos embelecer, pois esta forma significa não – “fazer belo simplesmente” (embelezar), mas – “tornar belo cada vez mais” (embelecer). – Aformosear e alindar apresentam a mesma diferença que se reconhece entre formoso e lindo. Lindo exprime “belo gentil, gracioso, ingênuo, loução, taful”. Dizemos: “lindo ramilhete, linda criança” (e não – “formoso ramilhete”, nem “formosa criança”: mesmo porque – “formosa criança” já seria outra coisa). Aformosear e alindar estão em caso

correspondente. Dizemos que se aformoseia o estilo, a alma, o caráter, etc.; e que só se alindam coisas muito mimosas, infantis. – Aprimorar é dar ao que é já belo, correto, elegante – um alto grau, uma expressão primorosa, uma excelência suprema. Aprimora-se a educação, como se aprimora uma obra de arte, ou uma virtude, etc. Sendo, portanto, primor “o alto grau de perfeição a que se eleva aquilo que se aprimora.”

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ADESTRAR, exercitar, instruir, ensinar, desembaraçar. – Tanto se adestra um animal como um homem, ou mesmo os nossos braços, as nossas mãos. Pode-se também adestrar num certo sentido: na corrida, por exemplo, ou na marcha, ou no salto, na pugna, no tiro ao alvo; ou mesmo em alguma aptidão especial – no desenho, na escrita, na datilografia, nas quatro operações aritméticas, nalgum ofício ou função, etc. Mas note-se que não dizemos: adestrar na música, ou na poesia, ou na matemática: salvo se nos referimos apenas à técnica de algum instrumento, de algum processo, ou de alguma operação. E isso porque adestrar diz propriamente “fazer-se muito hábil, tornar-
-se perito, rápido, ágil” – portanto, numa função que não seja puramente espiritual. Pode-se, aliás, adestrar a memória, mesmo o espírito; mas é claro que referindo-nos a um exercício que seja mais mecânico do que de raciocínio. Ninguém seria capaz de dizer: “vou adestrar-me na filosofia, ou na ciência do direito, ou na economia política”, etc.; e no entanto, seriam perfeitamente lídimas estas outras formas: adestrar-se nas lides parlamentares, na dialética, nas manobras militares, ou políticas – em tudo, afinal, em que é possível, pelo exercício, à custa de esforço, fazer-nos mais destro. – Exercitar é mais genérico, e designa toda e qualquer ação de “aumentar as aptidões, a capacidade, a

força, o vigor, etc., por meio do exercício”, isto é, repetindo muitas vezes, ou por muito tempo, a função ou o processo que a isso se destine. Exercitamo-nos numa profissão, num trabalho, num cargo, numa virtude, etc. – Instruir é “preparar alguém nalguma arte ou ciência; comunicar-lhe, infundir-lhe doutrinas, noções ou princípios, formando-
-lhe, como construindo-lhe o espírito”. Instruise um batalhão; instrui-se a mocidade; mas não se instrui