(sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_69018a8fe2a906.22652853_215.txt ma certa diferença entre estes dois verbos: intimida-se a um menino ameaçando-o de cortar-lhe a mão se tocar no doce; amedronta-se o ladrão (que vai penetrar na casa) disparando para o ar o revólver. A trovoada amedronta até espÃritos fortes (e ninguém diria â aqui intimida). â Assustar, aqui, é âproduzir medo súbito e quase pavor com que se ameaça alguémâ. 282 AMENO, agradável, aprazÃvel, delicioso, deleitoso, deleitável, grato. â O que é ameno â diz Bruns. â é agradável; nem tudo, porém, que é agradável é ameno. Tudo o que causa prazer é agradável; mas, para que aquilo que causa prazer seja ameno, é necessário que o gozo seja puro, suave, inocentemente deleitável. Entre agradável e grato nota-se esta distinção: o que é agradável dá prazer aos sentidos; o que é grato é relativo aos sentimentos. Agradáveis são as belas paisagens, a boa música, os perfumes; gratas são as provas de amizade, as demonstrações do reconhecimento, as recompensas ao mérito, etc. O agradável apraz; o grato sensibilizaâ. â AprazÃvel é aquilo â(tanto no mundo das coisas panorama; e nada mais aprazÃvel no mundo do que ser útil ao nosso semelhante; ou a função mais aprazÃvel é a do juiz que salva a inocência, a do artista que nobilita a sua arte. â Delicioso é mais do que aprazÃvel. Só no uso comum é que se pode entender de delicioso como entende Lacerda; isto é â que propriamente deve aplicar-se só em relação à s sensações. Muito longe disso â é no sentido moral que delicioso exprime o mais alto grau do prazer23. Entre delicioso e deleitável â não é possÃvel ver as diferenças que notaram Roquete e Lacerda entre delÃcia e deleite. Entendem esses autores (seguidos por muitos outros) que deleite indica o maior grau de delÃcia. Neste ponto ainda preferimos Bruns., segundo o qual â âdelÃcia, não só exprime o prazer sentido, mas também, e sobretudo, encarece o mérito, valor ou qualidades do que lhe dá origem. A delÃcia consola os sentidos e o espÃrito. Deleite é o gozo dos sentidosâ. E tanto é assim que dizemos: delÃcias do ParaÃso (não â deleites); deleite carnal (não â delÃcia carnal). â Sobre delicioso, deleitável, deleitoso escreve o mesmo seguro Bruns.: âO que é deleitável causa-nos deleite; o que é delicioso causa abundância de delÃcias. à deleitável o que nos dá prazer; é delicioso o que nos arrebata. Portanto, delicioso diz muito mais que deleitável. Querem os dicionaristas que deleitável e deleitoso designem a mesma ideia, e o mais recente de todos eles chega a preferir a forma deleitoso a deleitável. Ora, se atendermos a que a desinência oso designa âabundânciaâ, e avel, âqualidadeâ, obteremos a verdadeira diferença que há entre os dois adjetivosâ. (E não completa infelizmente o autor a exposição do seu modo de ver.) Pode-se, no entanto, atendendo aos fundamentos que ele oferece, entender assim: que é deleitável o que como na esfera moral) que nos encanta a vista, ou que nos excita na alma um sereno prazer â e cândida alegria.â à aprazÃvel um 23 ~ Já o poeta dissera