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consciência, de quase ignorância e parvoíce: é a “singeleza ou a ingenuidade do inculto e rude”. “Ele ficou em pasmo ante a simpleza daquele bárbaro ali impassível a tudo que se passa”. – Ingenuidade é a “singeleza de quem não oculta o que sente, nem disfarça o que faz, como as crianças”. “Calino é o tipo do ingênuo: diz, com toda gravidade, as coisas mais sabidas do mundo.” – Lhaneza é a qualidade do que é

lhano (do latim planus = liso, parelho, sem desigualdades de relevo). “Nada alterava jamais a lhaneza daquele caráter”. – Descuido é (como se vê da formação do vocábulo) “falta de cuidado no trato, no falar, no vestir, ou no desempenho de uma tarefa”: mais censurável sem dúvida que desalinho. “O descuido de quem se apresenta maltrajado em um salão de cerimônia é imperdoável”. O descuido na elocução, no gesto, na postura... é muito mais grave que simples desalinho. – Indolência e preguiça. Diz Lafaye que “a indolência é um defeito, a preguiça um vício”. Neste grupo não é bem assim. Se é mesmo vício a preguiça, está passando a ser quase um vício elegante... É ela “um relaxamento de ânimo, uma falta de ação para certas ocupações”. Pode ser oriunda de mal físico; e ordinariamente revela falha moral. – Indolência diz etimologicamente – “falta de sensibilidade; apatia, indiferença por tudo que a outros merece cuidados ou atenção”. A preguiça pode não ser um vício, mas deve tirar a vontade de agir e de viver: a indolência chega a ser às vezes uma virtude para o cético, o pessimista ou o misantropo. – Moleza é “preguiça sensual”. – Inércia é “imobilidade, falta de energia, estado de torpor”. – Inação é um “estado de inércia passageiro, que cessa logo que desaparece a causa acidental que constrange o inativo”. – Languidez é um quase “desfalecimento semelhante à depressão mórbida, e tendo também alguma coisa de moleza”. – Desídia é quase incúria, distinguindo-se desta em significar mais uma “inércia moral que afasta do trabalho, ou que torna avesso ao cumprimento do dever; enquanto que incúria é o próprio fato de não fazer o que devia”. – Acídia (ou acédia, mais conforme à etimologia) é uma inércia mais de espírito

		ainda do que desídia (talvez originariamen-

2 ~ Usa-se muito hoje do francês negligé em vez de negligência.

te uma e outra do mesmo radical grego). Diz Roq. que parece ter sido vulgar outrora,

e usar-se em vez de preguiça, como se vê do Leal Conselheiro e do Catecismo, de Fr. Bartolomeu dos Mártires, que a define assim: “O sétimo e último vício capital se chama acídia, que é uma tibieza e fastio espiritual que a alma tem para o exercício das obras virtuosas, especialmente para as coisas do culto divino e comunicação com Deus”. – Deleixo (ou Desleixo) e desmazelo significam “relaxamento no cumprir o dever, falta de correção; parecendo que desmazelo é mais grave e mais culposo “porque exprime, não apenas falta de correção, mas uma desídia quase ostentosa, um defeito mais punível que desleixo, que é mais “ausência de sentimento muito ní