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amar com aparato e desvanecimento (alarde, ostentação) aquilo que se tem ou se supõe ter. Só se ostenta o que realmente se mostra, ou que é material, ou que pode ser visto por todos. Ninguém ostentará méritos que nunca teve, posições que nunca ocupou, vitórias com que apenas tem sonhado. Qualquer pode fazer ostentação de riqueza, de valentia, ou de honras; mas decerto que ninguém se lembrará de fazer ostentação de gênio, de tino, ou de magnanimidade. Alardear, tanto se pode dizer daquilo que se possui, ou que é material, como do que se não possui, ou é invisível. Pode-se fazer alarde de rico (alardear fortuna ou cabedais) e fazer alarde de honradez, de piedade, etc. – Jactar-se é dizer publicamente, com ênfase, os próprios méritos, os feitos, as qualidades. A jactância não é propriamente ostentação, nem alarde: é mais “um quase desvanecimento e alegria em que se fica de haver alcançado alguma coisa cujo valor se exagera”. – Vangloriar-se aproxima-se do precedente. A vanglória é “uma ideia falsa ou exagerada que faz alguém de si próprio”. Quem se vangloria de alguma coisa presume demais do que essa coisa vale, e dá-
-lhe por isso uma importância que ela não
tem. – Bazofiar é “fazer ostentação ridícula ou escandalosa de grandeza, de força, de prosápia, etc. A bazófia é coisa semelhante ao que vulgarmente se chama prosa ou intimação. – Blasonar é quase o mesmo que bazofiar: apenas blasonar, mais de rigor do

que o outro, é usado com um completivo: blasona-se de nobre, de valente, etc. – Desvanecer-se é “sentir vaidade por algum mérito, por alguma honra, fortuna ou triunfo”. O desvanecimento, aqui, é “uma exaltação do amor-próprio que nos leva a ter um orgulho exagerado daquilo que se nos diz ou faz, ou que se nos atribui”. Conforme o complemento da sua predicação, porém, é que este verbo desvanecer-se envolve ideia que o aproxima dos demais deste grupo. Blasonar (de qualquer coisa que seja) é sempre, pelo menos, impróprio de um homem sério. Assim de alardear, ostentar, jactar-se, vangloriar-se, bazofiar, fanfarrear. Mas só desvanecer-se de ser belo, ou de coisas fúteis e vãs é que é ridículo. Desvanecer-se da amizade de um homem digno é perfeitamente legítimo. Mesmo desvanecer-nos da benevolência que se tem conosco, ou da honra que se nos faz – é coisa que se diz sem descaída moral. – Sob este aspeto, outro tanto se deve dizer de ufanar-se. Quem é que se não ufana da justiça que se lhe fez, num caso em que dessa justiça lhe pendia o crédito? Só quem pode não ufanar-se nunca de coisa alguma. A ufania é um como contentamento desvanecido, uma alegria orgulhosa que se sente por haver alcançado alguma vitória. Ufana-se o artista da sua obra quando sente que ela lhe deu uma grande expressão da própria alma. Agora, ufanar-se de haver ganho uma partida de bilhar... ou de ter dançado uma valsa com mestria e elegância... – isso é outra coisa. – Fanfarrear é, entre todos os do grupo, o que melhor acentua a ideia de todos alardes, ostentações charras e ridícula