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decerto ninguém dirá que uma senhora se adereça de fitas, ou que se enfeita de joias, ou que se atavia de brilhantes. (Aliás, o verbo enfeitar é o mais genérico e vulgar, e emprega-se frequentemente em casos como o exemplo acima, conquanto não pareça muito próprio.) – Adereçar diz, portanto, “adornar de adereços”, isto é, de joias, de adornos de oiro ou pedraria. – Enfeitar e ataviar aproximam-
-se, pela ideia, que sugerem, de “adornar de coisas ligeiras, vãs, insignificantes: e o segundo mais ainda que o primeiro, pois atavio é adorno mais falso que enfeite. Além disso, a pessoa que se adereça quer brilhar; a que se enfeita quer parecer mais bela do que é, ou deseja disfarçar algum defeito; a que se atavia exagera ou dispõe sem gosto os seus adornos ou enfeites, e mostra-se por isso mais fútil ainda que a pessoa que se enfeita. Ninguém diria que, por exemplo, a gralha da fábula se adorna, e sim que se enfeita ou se atavia com as penas do pavão. – Adornar e

ornar diferençam-se tão bem como adorno e ornato. Ornato aplica-se mais a coisas, e designa “o que, num edifício, num artefato, mesmo numa produção literária, é trabalho de acabamento, de lavor artístico”; e adorno tanto se aplica a pessoas como a coisas, e diz “tudo que aumenta a beleza”. Aproxima-se por isso de ornato, e mais talvez de decoração. Esta, porém, deixa supor que os adornos de que se decora têm um fim especial, e excedem naturalmente ao simples ornato, próprio do edifício ou da coisa de que se trata. Também ornato deve confrontar-se com ornamento: este é uma decoração mais brilhante, de mais imponência, mais sumptuosa e augusta. A mesma diferença há, portanto, entre ornar e ornamentar. A ornamentação de um templo, de um palácio, de uma câmara só se faz excepcionalmente, e para algum ato ou função extraordinária e de grande solenidade. – De ornamentar aproxima-se engalanar; mas este sugere ideia de brilho, aparato de festa, alegria ruidosa – tudo que se encerra em gala. – Embelezar e embelecer, se se aceita a definição dos lexicógrafos, são sinônimos perfeitos; e no entanto, bastará um exemplo para deixar bem clara a distinção que se sente entre estes dois verbos: “A cidade se embelece de dia em dia...” (não seria próprio, ou pelo menos de rigorosa propriedade dizer que a cidade se embeleza). Ainda outro: “Para a festa vamos embelezar toda a praça...” (não se diria que vamos embelecer, pois esta forma significa não – “fazer belo simplesmente” (embelezar), mas – “tornar belo cada vez mais” (embelecer). – Aformosear e alindar apresentam a mesma diferença que se reconhece entre formoso e lindo. Lindo exprime “belo gentil, gracioso, ingênuo, loução, taful”. Dizemos: “lindo ramilhete, linda criança” (e não – “formoso ramilhete”, nem “formosa criança”: mesmo porque – “formosa criança” já seria outra coisa). Aformosear e alindar estão em c