(sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690164fc4aacc0.74936119_112.txt implica a ideia da presença da pessoa, cujo socorro se pede, junto da pessoa que se deve socorrer. Nem sempre quem acode socorre efetivamente. E a inversa é também admissÃvel: só porque alguém nos socorre num grande embaraço, ou mesmo num perigo, não se segue necessariamente que nos haja acudido, isto é â que tenha vindo solÃcito ao lugar em que perigamos. Acudir dá ainda ideia de que a pessoa pela qual se grita deve fazer tudo pela nossa salvação, pois entende-se que nós, quando gritamos, nos julgamos inteiramente perdidos. Quem nos socorre, no entanto, vem apenas completar o nosso esforço e a nossa capacidade de defesa. â Auxiliar diz propriamente âdar auxÃlioâ; isto é â aumentar a força de alguém que já não se julga fraco. Quem me auxilia apenas concorre para que eu vença, ou aumenta a minha força, a minha capacidade de triunfar. â O mesmo se pode dizer de quem me ajuda. Escreve Roq., que, âsegundo o aca- dêmico Francisco Dias (Mem. da Acad., IV, 37) a palavra auxÃlio, que é latina (auxilium), era ignorada ou não usada até princÃpios do reinado de D. Manoel; a que se empregava era a portuguesa ajuda, como ainda se vê em Camões, que disse sentenciosamente: Fraqueza é dar ajuda ao mais potente. (Lus. IX, 80). Depois que os poetas e escritores cultos foram alatinando a lÃngua, foi aquela (auxÃlio) admitida com certo ar de nobreza, e esta (ajuda) passou para o domÃnio do vulgo; e o mesmo aconteceu com o verbo ajudar relativamente a auxiliar, como se vê dos seguintes provérbios em que no uso ordinário se não pode substituir um pelo outro: Deus ajuda aos que trabalham. A quem madruga Deus ajuda. Mais vale quem Deus ajuda Do que quem muito madruga. Dá-se ajuda (ou ajuda-se) a uma pessoa que está embaraçada com trabalho que não pode fazer, ou para que o faça mais prontamente; dá-se auxÃlio (ou auxilia-se) ao que já tem meios, forças etc., e precisa de ter mais; dá-se socorro (ou socorre-se) ao que não tem o suficiente, e amparo (ou ampara-se) ao que nada temâ... â Amparar supõe o desvalimento completo da pessoa que se ampara. Só se amparam aos desvalidos, abandonados, espúrios, os que precisam de amparo, isto é, de que os sustentem, guardem, protejam para que não caiam, não sucumbam, não pereçam. â Proteger envolve ideia da superioridade de quem guarda ou ajuda, acolhe e abriga. O protegido não é sujeito que precise de socorro ou de amparo, mas antes de auxÃlio; e o protetor dá-lhe um auxÃlio poderoso para que ele se revigore, ou para que multiplique as próprias forças e se ponha ainda mais no caso de alcançar o que almeja. â Quem nos defende é como quem se pusesse entre nós e o nosso inimigo e dos golpes deste nos guardasse. Mais extensamente, defender âé ficar ao lado de alguém para impedir que outrem se aproxime hostilmente, ou mesmo para evitar ataques previstos ou repelir agressõesâ. â Salvar âé pôr alguém livre ou a salvo de algum pe