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udir: tanto podemos dizer “ele acorreu ou acudiu ao ver o desabamento”, como: “eles acorreram ou acudiram...” Outra diferença: como há casos em que afluir não substituiria nenhum dos dois, há-os também nos quais não seria permitido usar de acudir, nem de acorrer por afluir: por exemplo: em – “as famílias da redondeza afluíram à cidade no dia da festa” – não poderíamos (sem alterar o valor lógico da frase) pôr nenhum dos dois primeiros verbos no lugar de afluíram. Isto quer dizer que afluir significa (como na acepção própria, natural) “mover-se lentamente (como os líquidos) numa certa direção, à procura de um ponto”; e que em acorrer e acudir está implícita a ideia de pressa: não se acorre nem se acode devagar, ou sem grande interesse de momento ou urgente. Entre acorrer e acudir é preciso também notar que é fácil marcar uma certa nuança. Quem acode atende a grito de socorro, ou a perigo que viu, ou a alguma coisa que procura solícito impedir ou evitar, ou cede a medo, a obediência, a vivo interesse, ou a provocação: o que, pelo menos, nem sempre se dá quanto a acorrer. Quando muito, poder-se-ia dizer que ninguém acorre a um certo ponto, ou para determinado lugar, sem motivo instante; mas quem ouve um grito de socorro não acorre apenas: acode, porque “corre a socorrer”.

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ACOSSAR, perseguir. – Acossar – diz Bruns. – “é perseguir hostilizando; conseguintemente, o acossador tem à vista o acossado. Tal ideia não existe em perseguir, pois entre o perseguidor e o perseguido a distância pode ser considerável”.

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ACOSTUMAR-SE,	habituar-se,	dar-se, afazer-se, adaptar-se, acomodar-se, ajus-

tar-se, aclimar-se (aclimatar-se), identificar-se, afeiçoar-se, amoldar-se, modelar-se. Costume, hábito. – Todos os verbos deste grupo enunciam ação de mudar de vida, de meio, de condição, e afazer-se a condição, meio ou vida nova. Acostuma-se alguém com alguma coisa, ou nalgum lugar, quando sente que o meio, tanto social como físico, lhe não é mais estranho como a princípio. Por isso mesmo não se explicaria, por exemplo, que um paulista nos viesse dizer que se acostuma em S. Paulo (isto é, na mesma terra onde nasceu e se criou e onde vive). – Confunde-se acostumar-se, com habituar-se, e com a mesma sem-razão com que se confunde costume com hábito. Não está em mim acostumar-me numa cidade; mas depende de mim habituar-me a um certo serviço, ou a um gênero de vida que nunca tive. – Costume é “tudo que forma o modo de ser próprio de alguém ou de um povo: o convívio é que o faz.” Devemos, portanto, os nossos costumes, tanto maus quanto bons, menos a nós próprios do que à ação do meio em que vivemos. – Hábito é “tudo que fazemos já quase maquinalmente, por nos termos exercitado com esforço, ou por termos repetido muitas vezes”: devemos os nossos hábitos mais a nós próprios do que a outros. Resta observar que costume se poderia definir como s