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mbém poderíamos dizer assim: “Deus que lhe ilumine o caminho da vida”. Mas, quanto ao primeiro exemplo, decerto que ninguém teria a lembrança de arriscar: “Deus que o alumie...” Pelo menos esta forma seria de lidimidade muito duvidosa. – Explicar é esclarecer como desdobrando, estendendo, desembrulhando aquilo que se não entendia, mais por defeito da coisa que se explica do que da pessoa a quem é explicada. – Explanar = “explicar tornando simples, inteligível, fazendo fácil”.

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ACOBARDAR, intimidar, amedrontar, atemorizar, assustar, aterrar, aterrorizar, espavorir, apavorar, quebrantar. – Todos estes verbos enunciam ação de diminuir ou abater o ânimo de...; e pode-se dizer que a nuança entre uns e outros é marcada pelos respetivos radicais. – Acobardar é “reduzir alguém a uma incapacidade absoluta de reagir”. Quem se acobarda perde a coragem para repelir um ataque, ou para atacar um inimigo que o afronta. Muito bem nota Roq., tratando de cobardia, que de um menino (de uma mulher, de um enfermo, ou de um decrépito, etc.) não se pode dizer que seja cobarde, e sim medroso. A noite, a solidão, uma invetiva não acobardam, mas amedrontam uma criança. Também não será próprio o verbo acobardar tratando-se de casos em que a coisa a resistir, a vencer, a atacar, ou a evitar etc., seja superior a forças humanas ou fique fora do nosso alcance. Não se poderia dizer, por exemplo, que uma tormenta, ou um vulcão, ou o relâmpago, etc., me acobarda, mas que me apavora, que me atemoriza ou me quebranta. De sorte que só se entende que alguém se acobarda quando deixa de ter o ânimo que é próprio do homem, da

sua função, da sua tarefa, etc. – Intimidar é “fazer tímido”. Pode-se intimidar a todo o mundo talvez; mas aquele que se intimida – ou é de uma prudência tão meticulosa que se avizinha de cobardia; ou é de uma tão delicada modéstia que passa a ter sem dúvida outro nome; ou então é mesmo de natureza ou de condição tímido por ser fraco, submisso, etc. Exemplos: “Bastou uma palavra mais alto e mais áspera para que o outro se intimidasse ali, calando-se”. (O outro aqui não é decerto um herói, mas é possível que explicasse suficientemente a sua quebra de ânimo como excesso de pudor, como virtude contra o escândalo.) “Por estar na rua, a presença daquele biltre intimidou o velho soldado (O velho soldado nem por isso perderia direito a continuar sendo o mais legítimo dos heróis: poderia mesmo juntar talvez agora ao antigo, tão discutível e brutal, o heroísmo um tanto menos espetaculoso, mas seguramente mais humano, de salvar o seu decoro intimidando-se, já que é tarde para defendê-lo a pulso ou à força de armas); “Só ao ver ao longe o filho do senhor, o mísero escravo intimidou-se”; ou: “Bastou a presença do mestre para intimidar o menino”. – Amedrontar é “causar medo”; como atemorizar é “causar temor”. Mas a diferença entre estes dois